12/11/2011
Como administrar empresas familiares
Com a tendência do mercado corporativo em aderir às novas tecnologias, é comum que os jovens busquem seu caminho independentemente daquele traçado pela família. A tradição antepassada de o filho assumir os negócios do pai já não é mais tão comum, mas ainda assim há quem prefira deixar os riscos de lado e entrar no mundo dos negócios em uma empresa já consolidada.
Se a escolha for essa, é preciso saber como agir, quando assumir cargos de gerência e diretoria e por onde começar. “Na verdade, tudo vai depender da necessidade de conhecimento que a empresa exige do funcionário, seja ele herdeiro ou não”, explica o consultor do SEBRAE-SP (Agência de Apoio ao Empreendedor e Pequeno Empresário), Reinaldo Messias.
Se o ramo de trabalho for algo relacionado à formação do filho do empresário ou com o que ele já tenha experiência e intimidade, pode ser mais fácil. Mas se isso não acontecer, não é preciso alarde. Basta que haja esforço para obter conhecimento e que seja dada a oportunidade para ele se engajar com as atividades.
A formação universitária pode ser muito útil na gestão dos negócios familiares. “Ainda há uma parte dos jovens que prefere administrar a empresa da família e, para estes, o curso superior pode ser bastante interessante. Se a escolha do indivíduo for assumir o empreendimento dos pais, é indicado que estude a área para obter o conhecimento necessário”, afirma o doutor em Administração Pública e Governo e professor da Fecap (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado), Edson Sadao.
Escalada
Mas existe um detalhe importante nessa jornada. “Mesmo sendo herdeiro, é preciso conhecer todo o funcionamento da empresa e, se possível, obter experiências semelhantes no mercado para depois assumir um cargo no próprio negócio”, revela Messias. Permitir que um filho ou neto assuma inicialmente um cargo de gerência ou de diretoria pode denegrir a imagem do empresário. De acordo com o consultor, é muito importante que o funcionário domine as operações realizadas pela empresa, para depois, fazer parte dos cargos de alto escalão.
O ideal é que, ainda estudante, a pessoa que vai assumir os negócios da família conheça o funcionamento da empresa, aprenda sobre o ramo de atuação e, ao se formar, busque experiências no mercado. “Após o processo de aprendizado e trabalho em outras empresas, o jovem está apto a entrar para o empreendimento familiar”, esclarece Messias.
Assumir uma posição de gerente ou diretor, antes mesmo de ter passado por outras funções, pode não só prejudicar a imagem da empresa e do empreendedor, como colocar em risco alguma negociação. Segundo o consultor, a falta de experiência pode ser crucial para os negócios.
E, para aqueles que têm uma formação muito diferente do ramo que atua a empresa dos pais e resolve assumir os negócios, é fundamental que passe a conhecer a área que vai trabalhar e, se possível, inicie uma nova fase de estudos voltada ao que vai fazer na empresa. “Se a escolha for somente conhecer a empresa da família e não trabalhar diretamente para ela, não é preciso mudar os rumos, mas caso contrário, a mudança é essencial”, diz Messias.
